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EM QUARENTENA, capítulo II: estudo mostra os sentimentos e percepções depois de um mês de quarentena.

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Este segundo levantamento do estudo “Em Quarentena”, com 1050 brasileiros, retrata os sentimentos e percepções em meio à quarentena, que no Brasil completava 4 semanas.

Na pauta, perguntas sobre a situação dos cidadãos, o empenho diante da nova e teimosa realidade, os sentimentos experimentados, e sua percepção sobre o universo que os cerca: as empresas, o governo, a sociedade e sobre si mesmos. Para acessar o primeiro capítulo do estudo, publicado em 02 de abril, sobre os primeiros dias de quarentena, clique aqui.

Segue o relatório:

Em-Quarentena-ONDA-II-Resultados-da-Pesquisa-de-Opinião

Link para baixar o relatório:

Considerações sobre os resultados

Os respondentes desabafam: seu tempo presente foi “desfeito”, e os planos de futuro foram adiados por tempo indeterminado. A realidade que se impõe sobre os cidadãos foi aceita com medo por muitos, e com determinação pela grande maioria.

A maioria dos respondentes (87%) declara estar em isolamento social total ou parcial. A casa é o porto seguro onde as famílias convivem, compartilham experiências e aprendizados, criam novas rotinas. Estar em casa traz conforto, mas por outro lado gera angústia (seja por causa da solidão, ou da convivência exclusiva com os familiares), e demanda disciplina.

Jovens mais impactados

Apesar dos sentimentos aflorados serem uma constante na pesquisa, os jovens até 24 anos relatam uma angústia maior diante da situação, apresentando mais medo e frustração, sendo mais pessimistas em relação à situação da saúde e ao comprometimento dos governos e da sociedade.

Em contraste, os adultos com mais de 45 anos – e principalmente os idosos – são os que se descrevem como mais ativos, mais calmos, mais esperançosos, mais otimistas e até mais inspirados!

A geração mais jovem – com até 24 anos – sofre mais o impacto da situação. Nasceram em tempos relativamente pacíficos e com rotina organizada, e estão em pleno amadurecimento pessoal e profissional. Essa natural inexperiência e o imediatismo geralmente atribuído à geração Z, vão de encontro às medidas inéditas e a necessária paciência para lidar com a ameaça de saúde enfrentada. Isso alimenta certa desesperança, e transforma quem vive a dificuldade

A extinção e a reinvenção do trabalho

Não trabalhamos mais como há quatro semanas. De acordo com a pesquisa, apenas 23% dos respondentes costumavam trabalhar em casa. Durante a quarentena, outros 46% passaram a atuar nesse sistema. Mais de um terço dos entrevistados (41%) viram sua carga de trabalho diminuir, 35% tiveram sua atividade paralisada, enquanto 30% estão fazendo trabalhos diferentes daqueles que faziam antes.

Em quem confiar: na sociedade, no governo e… nas marcas!

Existe um certo ceticismo em relação ao comprometimento do governo e da sociedade para combater o vírus adequadamente. Curiosamente, a maioria dos participantes (70%) consegue enxergar empresas e marcas contribuindo de alguma forma, demonstrando que as ações das empresas estão sendo valorizadas pela população. A maioria (53%) escolhe as marcas que transmitem confiança. E uma parcela (29%) declara que está comprando em lojas ou supermercados diferentes de onde comprava. Efeitos de uma construção de marca anterior.

Os entrevistados acreditam que após a crise do COVID 19 serão consumidores diferentes. Nestas quatro semanas, o discurso e a prática de algumas empresas comprometeu imagens arduamente construídas. Nestas mesmas quatro semanas, empresas que atuaram positivamente, mudando suas estruturas ou fazendo ações concretas (não apenas comunicação!) alcançaram o coração das pessoas. O que se faz durante esse período tem impacto depois.

Link para o site da TEMA Pesquisas:
https://www.temapesquisas.com.br/

Publicitário, pesquisador na área de marketing, branding e comportamento do consumidor. Fã de baseball e football.

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